48Janeiros

Você me acompanha?

22:32



Na bolsa estão os meus pertences e algum dinheiro para o ônibus. Ainda não sei qual meu destino, mas onde houver um coração com sede de amor, lá cumprirei presença. Meu cartão já está batido para aqueles que precisarem de um abraço. Meu destino é o amor.
Que tal esquecermos um pouco de nossos problemas e vivermos como crianças? Sei que você sente falta daquela sensação de paz, onde nossa maior preocupação era contar à nossa mãe que quebramos uma daquelas xícaras caras que ela ganhou da vovó de casamento.
Vamos esquecer aquela história toda de que temos que ser fortes o tempo todo, esquecer da velha e desagradável expressão "correr atrás" que faz com que nosso orgulho nos impeça de demonstrar amor. Temos maneiras diferentes de amar, e querer que todos amem da nossa forma é egoísmo demais.
Vamos esquecer dos telefones móveis e pegar um pouco no telefone fixo, esquecer o touch screen e pressionar os botões corretos que nos farão ouvir as vozes das pessoas que mais amamos. Não vamos esperar perdê-las para isso. Vamos amar.
Estou a fim de mudar o curso da minha vida, talvez da sua também. Estou querendo apanhar todas as decepções e jogá-las para o ar, a fim de que o vento as leve para longe de mim. Não me importo de que meu coração já não é mais o mesmo de há alguns anos atrás, porque eu sou a mesma, lá no fundo.
Quero amar as pessoas, jogar bilhetes motivadores pelas ruas frias de São Paulo, correr a noite sem razão, e cantar alguma música sem sentido, tipo aquelas da Clarice Falcão. Estou querendo viver a vida e esquecer das regras da sociedade, esquecer da opinião alheia, só Deus, eu e as pessoas que precisam do nosso amor.
Não sei quantos dias eu terei, mas os que tenho quero dedicar ao amor. Você não precisa me dar a resposta agora, pode jogar um bilhetinho por baixo da porta do meu quarto quando decidir. E então você me diz: você me acompanha?

   Obs: Esse é um dos textos lindos da Nathalia, dona do blog 48Janeiros. Espero que amem o bloguinho dela tanto quanto eu.  

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Meu avô morreu aos 90 anos.

01:04


E a dor é tão previsível.
Deixou o mundo mesmo depois de sempre ter sido restrito em questão à sua paz. Sempre me contou histórias sobre como viajou o mundo e de como sofria acidentes que geralmente deixavam fraturas graves. Mas sempre que o questionava sobre o seu amor, ele fechava os olhos e dizia sentir falta do doce aroma que ela tinha. Ela era sua melhor amiga. O acompanhava em todas as suas aventuras, e principalmente, estava sempre ao seu lado todas as vezes em que ele esteve debilitado. Me contou sobre as vezes em que foram presos por furto em uma lojinha, mas também de como arcaram com as consequências juntos. Ouvia ele sinuar o nome dela como se fosse música para seus próprios ouvidos. Me contou sobre tudo, apesar de nunca ter entrado em detalhes. Falou sobre como dançavam sobre a chuva e adoravam fazer barulho dentro de um banco. Era como gostar de alguém que não era seu, mas que lhe pertencia de alguma forma. Eles eram diferentes. Meu avô sempre foi muito orgulhoso, e conforme ele dizia, eu percebia a calma e liberdade que ela tinha. Eu nunca a conheci, mas ele garante que ela existiu. Pelo menos para ele. Alguns anos se passaram e ela precisou partir com quem ela dizia amar. Sempre percebi a dor em seus olhos quando falava sobre como a voz dela parecia arder quando falava sobre o homem que ela amava. E ele precisou deixá-la partir sem saber que ele a amava demais ào ponto de que trocaria a viajem ao mundo por uma casinha, uma vida à dois, alguns filhos e um cachorro. Ele não se importaria com nada disso, desde que tivesse ela ao seu lado. Essa era a única história que ele realmente sentia saudade de viver. Sempre quis ter a chance de vê-la outra vez e falar sobre o seu amor nunca ter morrido.
Mas o meu avô morreu. 
Haviam dezenas de pessoas em sua sepultura, mas eu não me importava com o número de pessoas que estavam ali. Ele me falava sobre como seria o seu enterro e de como gostaria de que não estivessem todas as pessoas que conheceu e foi embora, mas as que sempre estiveram presente.
Em meio as lágrimas, vi uma senhora de cabelos grisalhos se aproximar com uma foto sobre o túmulo de meu avô. O colocou sobre o seu nome e chorou. E ela chorava baixinho. Me aproximei e perguntei se estava tudo bem e ela permaneceu em silêncio enquanto suas mãos tocavam a terra. Era como se sentisse saudade de um toque que esteve longe durante muito tempo, mas que agora se distanciou um pouco mais. Perguntei mais uma vez e ouvi ela falar baixinho que o amou. Fiquei em silêncio, até perceber a pulseira que ela tinha nos pulsos, escrito “pour l’amour”. Meu avô tinha uma parecida dentro de seus pertences, e sempre a guardou com muito carinho. Era ela. Eles tinham uma pulseira da amizade, como geralmente todo jovem adolescente tem. Senti ali o desespero nas palavras que imploravam por perdão. “Me desculpe por nunca ter lhe dito que te amava” foram as últimas coisas que eu consegui ouvir.
Meu avô viveu 90 anos sem saber que não podia ter a liberdade e o amor em uma só vida. Mas, tenho certeza de que a amaria por mais 90 anos.

                                                                                                                                    Lane Passos

Um beijo, 
 Yasmim Gil. :*

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Coisas feitas pelo coração.

18:30



“Foi como um relógio voltando seus ponteiros de uma maneira inquietante, essa parte da história pode até não fazer sentido pra algumas pessoas, pois durante aquela parte do tempo, eu estive normal, mas mal sabiam o que estava acontecendo por dentro, dentro de mim, as borboletas no estômago me incomodavam, é como se por durante todo aquele tempo, elas estivesse adormecidas e depois desse tempo todo, elas voltassem a voar. Poderia até parecer uma noite normal, como qualquer outra, mas somente quando eu o vi pela janela do carro que realmente voltou a fazer algum sentido, pra descer do carro e sentir o frio que senti não era normal, me senti estranha, e eu sabia porque, talvez seja porque tinha o visto, e por mais que minhas mão tentasse ficar normais, eu não sabia o que fazer com elas, se as encruzava ou se as colocava para trás, mesmo que maioria das pessoas não estivessem com frio, eu estava, e com isso concluí que não estava no meu estado normal, ele havia mudado muito, toda a feição, digo, porque sei que o jeito continuava o mesmo, os meus olhos estavam em outras direções, mas um deles estava lá, o observando, mesmo que disfarçadamente, eu não conseguia me conter. Do lado de fora já dava pra ouvir a música, músicas de bom gosto até, eu sabia a maioria de cor na minha cabeça, não queria cantar, queria parecer alguém normal, ainda mais que ele estava ali, tanto e tanto tempo que não o via, e minha mão estava me incomodando, o que fazer com elas? Droga. Já estava na hora de entrar, eu não queria que ele me visse, ou no mesmo momento queria, fui pro outro lado da fila, o lado oposto dele, mesmo que tivesse muitas pessoas eu somente estava com minha atenção voltada a ele, ao movimentos, com quem ele estava, sabia que algumas pessoas que estavam comigo conversavam, e eu somente dizia que sim, e concordava com a maioria do que falavam, não estava entendendo muito o que estavam dizendo, minha atenção somente se voltava ali, nele e o que jeito com que agia, a fila foi andando e eu sabia que ia dar pra ele entrar primeiro. Perfeito! Pelo menos eu iria esquecer um pouco a presença dele ali. Como se as coisas não fossem feitas pra serem entendidas, vi que várias pessoas da minha fila conseguiram entrar primeiro e minha fila acelerava, por um momento vi que ela já havia me notado ali. Porque, meu Deus? Eu não sabia o que fazer com minhas mãos, elas nunca estiveram tão deslocadas assim, e a fila andava e vi que entraríamos juntos, na mesma direção, eu queria entrar primeiro pra que isso não acontecer, mas algumas pessoas passaram na minha frente, como se já não bastasse, estávamos ali, lado a lado, aquele momento foi o momento em que ficamos mais perto durante tanto tempo, e o momento em que trocamos olhares, não sabia o que sentir, não sabia o que estava sentindo ou fazendo, por fim, ele passou a minha frente e seguiu enquanto meus amigos já estavam na frente e eu segui atrás dele, observando o quanto havia mudado, e ele sentou junto com os casais que estavam com ele, tive que notar que ele era o único sozinho em meio a três casais, não sei se queria por um momento ir ali e completar o casal faltoso com ele, mas sabia que não podia, sabia que não iria, eu sabia também que me conhecia e jamais iria fazer algo parecido, sentei na mesa que meus amigos sentaram, era o lado oposto do dele, e sentamos de costas um pro outro, de hora em outra, me via a procurar uma desculpa pra olhar pra trás, pra vê-lo, aproveitar aquela oportunidade que eu não tinha a tanto tempo, de vê-lo ali, já até tinha esquecido do nosso último assunto, mas aquele relógio voltava cada vez mais e eu podia me lembrar de todos os momentos em que estivemos juntos. A cronologia atual continuava seu ritmo, o tempo ia passando, e eu respondia às perguntas e tentava me encaixar nos assuntos que rolavam na minha mesa, eu não sabia direito do que falavam, somente sabia que de hora em outra, eu dava um jeito de olhar pra trás, não podia deixar ele ir embora sem antes olhá-lo mais uma vez, lembro-me que surgiu algum assunto e que eu começara a rir, a rir alto, a rir sem controle, aquela gargalhada não estava em mim, eu teria que parecer normal, o que eu estava fazendo? - Que droga isso em mim - Odiava esse meu jeito de não saber comportar frente à algumas pessoas, em especial, frente às pessoas em que preciso tentar parecer normal. De tempo em tempo, eu o via alí, sozinho em meio aos casais, meus pés queriam ir até lá, mas eu mesma me impedia, e o resto? A cronologia continuava em ritmo, as horas foram passando, o tempo corria na frente, entre um olhar e outro, chegou a hora de ir embora, sem ao menos vê-lo mais uma vez, ele continuava na mesa, meio que imóvel, somente respondendo aos que o acompanhavam, me vi um pouco nele, aquele jeito não mudava mesmo, desci as escadas e o vi pela última vez naquele dia, nos enamoramos por olhares mal percebidos, mas nenhum de nós saiu do lugar, provavelmente ele seguiu o caminho para casa assim como eu, e essa foi apenas uma das vezes em que isso vai acontecer, pois nos cruzamos nos lugares, sem ao menos perceber, e toda essa coisa vai ajudar a remoer o que passou, vai contribuir para aquela dúvida temida em nossos corações: O que teria acontecido se eu tivesse me movido? Ninguém sabe, e por minha parte, próprio orgulho talvez, vou continuar não sabendo.”
— natalia

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Enxergue a realidade.

17:21


O que você vê? Pessoas, casas, carros, prédios, pobreza, injustiça, morros...? Se for todas essas coisas, parabéns! Não existe mundo perfeito. Não pense que quando olhar pela janela verá um lindo campo verde, com árvores, pássaros e flores. Que quando abrir esta janela sentirá o cheiro da natureza, da paz... e bem ao longe, muito distante, haverá um alguém. Abra a sua janela e enxergue a realidade, pois de um mundo de ilusões só se sai loucamente louco. Aceite!